As duas instituições de representação dos enfermeiros no País estão de «costas viradas», devido ao plano da Ordem dos Enfermeiros de Angola (ORDENFA) de condicionar o acesso à carteira profissional a um exame de âmbito nacional, ideia veementemente criticada pelo Sindicato, que não vê urgência na medida e aponta uma série de problemas cuja solução deveria ser prioridade, como o facto de a classe “ganhar mal”.
Ao Novo Jornal, na justificação sobre a pertinência da medida, o bastonário da ORDENFA refere a necessidade de se colocar “ordem” e “respeito” na formação no sector da enfermagem no País.
Paulo Luvualu explica que, ao longo dos anos, o órgão que dirige vem constatando “várias irregularidades” nas instituições de ensino, daí que não concorde com os moldes actuais de atribuição da carteira, que ocorre mediante análise das pautas cedidas pelas escolas de formação à ORDENFA.
“Existem escolas que não possuem condições nem capacidade para formar profissionais de enfermagem, mas que continuam a formar”, critica o bastonário, antes de prosseguir: “Temos, também, conhecimento de que algumas destas escolas leccionam cursos intensivos no intervalo de três a seis meses. Estão a banalizar a enfermagem, e isso é grave”, diz Paulo Luvualu, que considera que a situação pode “desestabilizar o sistema de Saúde do País”.
Em sentido contrário, o presidente do Sindicato dos Enfermeiros de Angola começa por criticar o facto de o órgão que dirige não ter sido consultado pela ORDENFA sobre o assunto.
Afonso Kileba entende, por outro lado, que a implementação de um exame nacional para o acesso à carteira de enfermeiro “não deveria” ser prioridade.