Durante a sessão de apresentação, o pesquisador Scoth Cambolo sublinhou que a obra propõe uma análise profunda ancorada em experiências do quotidiano, trazendo à tona questões que atravessam a vivência individual e colectiva. Segundo o académico, a autora constrói uma narrativa poética que questiona estruturas sociais estabelecidas, ao mesmo tempo que valoriza o conhecimento como ferramenta de emancipação.
Ao longo dos poemas, “Útero do Universo” apresenta-se como um espaço simbólico de criação e reflexão, onde o “útero” surge como metáfora da origem, da transformação e da força criadora — não apenas no sentido biológico, mas também cultural e espiritual. A obra convida o leitor a revisitar conceitos de identidade, pertencimento e poder, propondo uma leitura crítica sobre o papel do indivíduo na construção da sociedade.
A escrita de Kanguimbu Ananaz revela-se, assim, não apenas estética, mas também interventiva, promovendo um diálogo entre tradição e contemporaneidade. A autora recorre a elementos do contexto africano e angolano para reforçar a importância da memória, da cultura e da valorização das vozes historicamente marginalizadas, em especial as femininas.
A apresentação reuniu amantes da literatura, académicos e membros da comunidade cultural, num momento marcado pela troca de ideias e pela valorização da produção literária nacional. A recepção da obra evidencia o crescente interesse por conteúdos que vão além do entretenimento, assumindo a literatura como instrumento de reflexão social e transformação.
Com “Útero do Universo”, Kanguimbu Ananaz reforça o seu posicionamento no panorama literário angolano, contribuindo para o fortalecimento de uma poesia que questiona, inspira e promove consciência crítica.